Novo livro de Bento XVI, «Jesus de Nazaré»

O novo livro de Bento XVI, «Jesus de Nazaré. Da Entrada em Jerusalém até à Ressurreição», apresenta um Deus que sofre e um homem em luta contra o poder da sua época, que o condenaria à morte.
A Agência ECCLESIA apresenta hoje partes desta obra, centrada na «Paixão» de Jesus que, para o Papa, é uma “imagem de esperança”, porque “Deus está do lado dos que sofrem”.
“Em Jesus aparece o ser humano como tal. Nele se manifesta a miséria de todos os prejudicados e arruinados. Na sua miséria, reflecte-se a desumanidade do poder humano, que assim esmaga o impotente”, pode ler-se.
A obra, em nove capítulos, é dedicada aos momentos que precederam a morte de Jesus e a sua ressurreição, mostrando, segundo o Papa, as palavras e acontecimentos decisivos da vida de Cristo.
Como fizera em 2007, na primeira parte de «Jesus de Nazaré», Joseph Ratzinger centra-se na figura de Cristo que é apresentada pelos Evangelhos canónicos (Marcos, Mateus, Lucas e João), considerando estes livros como as principais fontes credíveis para chegar ao verdadeiro Jesus.
“Embora continue, naturalmente, a haver detalhes a discutir, todavia espero que me tenha sido concedido aproximar-me da figura de Nosso Senhor de um modo que possa ser útil a todos os leitores que queiram encontrar Jesus e acreditar nele”, pode ler-se, no prefácio do livro.
O actual Papa fala de um Cristo que “tem de experimentar a incompreensão, a infidelidade até no âmbito do círculo mais íntimo dos amigos”, destacando a traição de Judas, precisamente no dia da “Última Ceia”.
No livro alude-se ainda à «perturbação» de Jesus quando se “encontra com a majestade da morte e é tocado pelo poder das trevas”, poder este que é sua tarefa “combater e vencer”.
Num capítulo dedicado ao «processo de Jesus», o julgamento diante do governador Pôncio Pilatos, Bento XVI traça uma longa descrição da luta de Cristo face ao poder religioso e político da altura.
O Papa coloca o ónus da acusação e condenação à morte na “aristocracia do templo” de Jerusalém, mas também responsabiliza o prefeito romano por um julgamento injusto, no qual preferiu “a carreira” e a “paz” à “justiça” perante quem não representava qualquer ameaça política.
Jesus surge “açoitado e humilhado”, como um “rei de escárnio”: “Sobre ele, descarrega-se tudo o que angustia os homens; pretende-se assim afastar tudo isso do mundo”, indica Bento XVI.
“A humanidade encontrar-se-á sempre de novo perante a mesma alternativa: dizer «sim» àquele Deus que age apenas com o poder da verdade e do amor ou apoiar-se no concreto, naquilo que está ao alcance da mão, na violência”, prossegue o Papa.
A segunda parte de «Jesus de Nazaré» vai ser apresentada no Vaticano, a 10 de Março, em conferência de imprensa, com a presença do cardeal Marc Ouellet, prefeito da Congregação para os Bispos, e de Claudio Magris, escritor e germanista.
O primeiro volume, publicado há quatro anos, era dedicado à vida de Cristo (desde o Baptismo à Transfiguração) e uma terceira parte está a ser escrita por Bento XVI, que vai abordar os chamados «Evangelhos da infância».
Toda a obra começou a ser elaborada nas férias de 2003, antes da eleição de Joseph Ratzinger como Papa.

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