Um Papa que sorri

Portugal descobriu ontem um Papa que sorri, começando a desmontar a ideia de um homem frio, distante e completamente desajustado a situações de grandes multidões e manifestações festivas.
Apesar do cansaço da viagem, logo de manhã foi possível perceber que Bento XVI estava a viver a viagem ao nosso país – 15ª do pontificado – de forma intensa, quando parou no Mosteiro dos Jerónimos, com um sorriso nos lábios, para ouvir o “Ave Verum” de Mozart entoado por um coro infantil.
O ambiente familiar que se percebeu no Palácio de Belém – onde uma criança chorava antes do encontro com os filhos e netos do presidente e da primeira-dama – ajudou a reforçar a ideia de um Papa mais próximo, que foi desde logo acompanhado por milhares de pessoas nas ruas de Lisboa.
Neste primeiro momento, muitas foram as crianças a estarem junto de Bento XVI, o seu Papa, o único que conheceram.
Mas foi sobretudo à tarde, no Terreiro do Paço, que se deixou conquistar por Portugal, uma multidão em festa que lhe arrancou vários sorrisos e que o fez parar na sua homilia – coisa rara – para ouvir as palmas que a sua intervenção provocou.
Depois de falar à “Lisboa amiga”, Bento XVI encerrou o dia numa “serenata” dos jovens e, novamente, em tom muito familiar, um pedido muito compreensível para uma pessoa de 83 anos que tinha feito uma longa viagem de manhã cedo: têm de me “deixar dormir”.
Para acabar em festa, foi o próprio a arrancar sorrisos dos presentes. Em Fátima, provavelmente, a empatia com os portugueses passará mais pelas lágrimas e a emoção, mas se o Papa vinha à conquista de Portugal, parece óbvio que já está conquistado pelo país
Ecclesia
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