Papa deixa mensagens de paz, alegria e unidade

Bento XVI pediu ontem que os padres católicos “sejam homens de paz e de alegria”, no exercício da sua vida apostólica.
“Como sacerdotes, somos chamados a ser, na comunhão com Jesus Cristo, homens de paz, somos chamados a opor-nos à violência e a confiar no poder maior do amor”, assinalou.
O Papa falava na homilia da “Missa Crismal”, celebrada na Basílica de São Pedro, à semelhança do que aconteceu em todas as dioceses do mundo.
Mas, para que essa “paz e alegria” sejam um facto é necessário que as comunidades de crentes rezem por este objectivo, pois, também o mundo está a precisar “urgentemente da alegria que brota da verdade”.
Os apelos do Papa alargaram-se a todos os cristãos, que apelidou de “pessoas de paz, pessoas que reconhecem e vivem o mistério da Cruz como mistério da reconciliação”; tendo recordado a propósito “os mártires dos primeiros séculos do Cristianismo, “prontos a sofrer pelo bem, por Deus”.
“Também hoje, é importante para os cristãos não aceitar uma injustiça que é elevada a direito – por exemplo, quando se trata do assassinato de crianças inocentes ainda por nascer”, apontou, em referência à prática do aborto.
Na celebração da Missa Crismal, durante a qual foram abençoados os óleos dos catecúmenos e dos enfermos e consagrado o Óleo do Crisma, a homilia do Papa centrou-se ainda na explicação do que significam os Sacramentos e os elementos da natureza a eles associados: “o óleo consagrado foi considerado, particularmente, como sinal da presença do Espírito Santo”, “o óleo da alegria”.
“Esta alegria é uma realidade diversa do divertimento ou da alegria exterior que a sociedade moderna deseja”, precisou.
Bento XVI declarou que “o divertimento não é tudo” e que “quando pretende ser tudo, torna-se uma máscara por detrás da qual se esconde o desespero ou, pelo menos, a dúvida”.
“A alegria, que nos vem de Cristo, é diferente. Essa também nos dá contentamento, mas pode sem dúvida coexistir com o sofrimento”, sublinhou.

Ceia do Senhor, sinal da “unidade”

Já na celebração da Ceia do Senhor, ou instituição da Eucaristia, que incluiu a cerimónia do “Lava-pés”, o Papa apelou de modo significativo à “unidade” na Igreja.
“Duas vezes disse o Senhor que esta unidade deverá fazer com que o mundo acredite na missão de Jesus. Portanto, deve ser uma unidade que se possa ver: uma unidade que ultrapasse tanto aquilo que habitualmente é possível entre os homens, que se torne um sinal para o mundo e afiance a missão de Jesus Cristo. A oração de Jesus dá-nos a garantia de que o anúncio dos Apóstolos não poderá jamais cessar na história; que suscitará sempre a fé e congregará homens na unidade – uma unidade que se torna testemunho para a missão de Jesus Cristo. Mas esta oração também é sempre um exame de consciência para nós”, salientou.
Noutra parte da sua homilia, Bento XVI lembrou a interpelação feita por Jesus aos seus Apóstolos na ùltima Ceia.
“Nesta hora, o Senhor interpela-nos: vives tu, através da fé, em comunhão comigo e, deste modo, em comunhão com Deus? Ou não estarás porventura a viver mais para ti mesmo, afastando-te assim da fé? E, por isto, não serás talvez culpado da divisão que obscurece a minha missão no mundo, que fecha aos homens o acesso ao amor de Deus? Foi uma componente da Paixão histórica de Jesus e continua uma parte daquela sua Paixão que se prolonga na história o facto de ter Ele visto, e ver, tudo aquilo que ameaça, que destrói a unidade. Quando meditarmos na Paixão do Senhor, devemos também sentir a dor de Jesus pela facto de nos encontrarmos em contraste com a sua oração, de fazermos resistência ao seu amor; de nos opormos à unidade, que deve ser para o mundo testemunho da sua missão”, acentuou o Papa, entre outros aspectos fundamentais da vivência de Quinta-Feira Santa.

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