A meio da Visita – um (quase) balanço

Em Outubro, o coração da ilha ajoelhou-se aos pés da Imagem Peregrina da Senhora de Fátima. Por causa desta Visita, enfeitámos os caminhos, iluminámos as janelas, pendurámos música nos beirais das nossas casas.
A ilha vestiu-se de branco. Bordámos os montes de esperança e levantámos as mãos aos céus, como Ela nos ensinou, naqueles dias de Fátima, quando o sol Lhe obedeceu e fez cair os soberbos.
Oferecemos-Lhe o que tínhamos: o tempo, as palavras desfiadas no terço que rezamos, os medos escondidos no peito, a vontade de sermos outros e de Lhe abrirmos as portas.
Temo-La sentido connosco em cada comunidade. Aprendemos com Ela a aceitar a vontade de Deus e a dizer que Sim aos Projectos que Ele vai semeando na nossa vida. Aprendemos com o Seu silêncio branco a serenidade de quem espera e, nessa esperança, encontra Deus. Aprendemos que no caminho é preciso levantar quem está caído e socorrer quem precisa de nós.
Foi a Festa e Ela trouxe-nos a Palavra de Deus feita Menino. E ensinou-nos a ternura e o beijo, a humildade que distingue os grandes, a entrega incondicional ao sonho de Deus.
A Senhora mais brilhante do que o sol fez da nossa ilha a Cova da Iria. Ficou connosco quando o céu se derramou em estrondos líquidos sobre a terra. Ficou connosco quando o mar veio buscar o que lhe roubámos, na ânsia louca de sermos mais. Ficou connosco quando a nossa terra se pendurou na ravina e foi engolida pela água. Ficou connosco quando o tempo parou e nos sentimos sozinhos.
A Senhora viveu connosco a mudança: quando o fogo fez explodir a noite e o ano novo chegou, limpo, claro, indiciando um tempo de esperanças renovadas.
A Senhora continua aqui. A fazer connosco o Caminho. Indicando o altar do Seu Filho como a única solução. Dizendo-nos que sim, que ficará de pé, ao lado da nossa cruz para nos segurar quando cairmos.
Estamos a meio da visita. O Manto da Senhora de Fátima já acolheu as nossas dores, já abraçou as nossas solidões, já aqueceu o nosso peito, às vezes gelado de medos e de crises e de pobrezas e de incertezas.
Estamos a meio do tempo. Esta visita faz unir as comunidades, faz pensar na Mensagem de Fátima como um ideário, como o Ideário que Deus escreveu no olhar meigo da Mãe, naquele último dia, no Calvário quando Lhe disse:
- Eis o Teu Filho e éramos nós. Estamos a meio do tempo. Já só falta a nossa parte. Porque a Senhora continua com os olhos presos nos nossos e as mãos postas para o céu.
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