MENSAGEM DA QUARESMA DO SR.BISPO DO FUNCHAL - “Fez-Se pobre, para nos enriquecer com a sua pobreza” (2 Cor 8, 9)


Iluminados pelo Espírito Santo, somos conduzidos a Cristo, Filho de Deus, que se fez pobre e humilde por nosso amor, como nos é proposto meditar, ao longo do tempo quaresmal, em direção à Páscoa e como preparação para esta grande solenidade. Todos os anos, no início da Quaresma, a Igreja convida-nos à conversão do coração, para vivermos em plenitude a graça batismal, que se expressa na caridade e no amor concreto e solidário aos irmãos e irmãs. Todos os dias, a comunicação so
cial coloca diante de nós uma onda de informação dos grandes acontecimentos e sofrimentos da humanidade, muitos deles marcados por situações de miséria material, moral e espiritual. Na sua Mensagem para a Quaresma, intitulada: “Fez-Se pobre, para nos enriquecer com a sua pobreza” (2 Cor 8, 9), o Papa Francisco interpela e pede à comunidade eclesial que os cristãos sejam anunciadores da jubilosa mensagem da misericórdia e da esperança. Escreve o Papa: “É bom experimentar a alegria de difundir esta boa nova, partilhar o tesouro que nos foi confiado para consolar os corações dilacerados e dar esperança a tantos irmãs e irmãos imersos na escuridão”. 

A alegria de partilhar 

Evocando S. Paulo, o Santo Padre sublinha, também, a lógica da Encarnação do Verbo de Deus, a lógica do amor e da Cruz. Cristo, sendo rico, fez-Se pobre por nosso amor e enriqueceu-nos com a Sua pobreza. Este esvaziar-se do Filho de Deus, na Sua entrega total até à morte, aponta-nos caminhos de verdadeira conversão interior e exterior, de total abertura e doação a Deus e aos nossos irmãos e irmãs, especialmente os mais necessitados. “Este foi o caminho que Ele escolheu para nos consolar, salvar, libertar da nossa miséria”, diz o Santo Padre. Não faltam na nossa terra graves situações de pobreza, abandono, solidão e até suicídios, que a todos nos afligem e preocupam, particularmente a perda do emprego, o desemprego dos jovens, a consequente emigração e separação da família. Procuremos, por isso, estar atentos, escutar o grito dos pobres, ajudá-los e partilhar com eles os dons espirituais e materiais de que possamos dispor. Que a palavra do Papa encontre ressonância no nosso coração: “A Quaresma é um tempo propício para o despojamento; e far-nos-á bem questionar-nos acerca do que nos podemos privar a fim de ajudar e enriquecer a outros com a nossa pobreza. Não esqueçamos que a verdadeira pobreza dói: não seria válido um despojamento sem esta dimensão penitencial. Desconfio da esmola que não custa nem dói”. 

Renúncia quaresmal 2014 

É neste espírito de solidariedade e partilha fraterna, que pensamos nas situações de carência mais próximas de nós, mas não esquecemos tantas outras necessidades materiais e espirituais, nomeadamente aquelas com que se debatem tantos missionários, na sua ação evangelizadora. Por sugestão do Conselho Presbiteral Diocesano, destinamos a tradicional Renúncia da Quaresma deste ano de 2014, em parte para apoiar a aquisição de medicamentos aos idosos de menores recursos, que os não podem comprar, e em parte para apoiar a construção da igreja catedral da Diocese de Mindelo, em Cabo Verde. Esta Diocese foi criada há dez anos, destacando-se do território da Diocese originária de S. Tiago, a única que lá existia e esteve ligada à nossa Diocese do Funchal, quando esta foi sede de uma Província Eclesiástica (Arquidiocese), com jurisdição sobre várias dioceses criadas nos caminhos das descobertas. Para um projeto de tão grande vulto, qualquer donativo que possamos fazer será apenas simbólico,+ mas constituirá, sem dúvida, um gesto profundamente significativo e de comunhão eclesial, no contexto deste ano jubilar dos 500 anos da nossa Diocese do Funchal. As ofertas desta Renúncia Quaresmal serão recolhidas em todas as igrejas e capelas, conforme é costume, nos ofertórios das Missas de Sábado e Domingo de Ramos, ou seja, nos próximos dias 12 e 13 de Abril. Como sempre, a participação é muito livre, segundo as possibilidades e a consciência pessoal dos fiéis, na certeza de que Deus não deixará sem recompensa qualquer gesto de atenção e partilha fraterna. Neste Ano Jubilar dos 500 anos da Criação da Diocese do Funchal, desejo aos queridos diocesanos da Madeira e do Porto Santo uma santa quaresma, no dinamismo do Espírito Santo, em ordem a uma vivência profunda do mistério Pascal de Cristo. Com Maria, Mãe da nossa Esperança, que nos aponta o Coração de Cristo trespassado na Cruz, como Fonte de Misericórdia e de perdão, prosseguimos juntos até à contemplação do Rosto do Senhor Ressuscitado.

Funchal, 5 de Março de 2014 
Quarta- feira de Cinzas
† António Carrilho, Bispo do Funchal
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