Movimentos e Secretariados realizaram encontro diocesano - Comunidades activas em comunhão eclesial


Os principais responsáveis pelos Movimentos de leigos na nossa diocese, bem como membros de vários Secretariados, estiveram reunidos ontem com o Bispo do Funchal, no Convento de Santa Clara. O encontro destinava-se a apresentar o calendário de actividades para o próximo futuro, mas serviu também para se dar a conhecer um “projecto” da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) sobre a “pastoral” que se quer para a Igreja em Portugal.
O documento em questão foi apresentado por D. António Carrilho (ver pormenores no Suplemento Pedras Vivas, nesta edição do Jornal da Madeira) que manifestou o seu contentamento pela grande participação no encontro, pelos “objectivos e espírito de comunhão eclesial que toda a nossa actividade deve ter”, disse ao JM.
Nesta perspectiva da “Igreja comunidade”, salientou ainda a importância dos “conselhos”, órgãos de auscultação quer ao nível da diocese ou das paróquias, como “suporte” dos planos pastorais a levar a cabo a cada momento.
Esta situação, entre outros aspectos essenciais, está a ser acompanhada pela CEP que até Março de 2011 se propõe concluir um “estudo” sobre as necessidades pastorais do nosso país, com a contribuição de todas as dioceses.
“Não podemos ficar de fora e queremos, nós próprios, tomar consciência da realidade da Igreja diocesana. Há um diagnóstico, um discernimento a fazer e será esse o nosso contributo para o projecto nacional, porque não vamos colocar-nos em abstracções, a fazer considerações de âmbito genérico ou desligado da nossa realidade”, esclareceu. Pretende-se “integrar linhas de pastoral comuns”. E, “a síntese a elaborar ficará para nós como elemento de trabalho de extrema importância, como planificação futura, de modo particular para estes próximos anos”, acrescentou Bispo do Funchal.
No encontro de ontem, que marcou o início do ano pastoral na nossa Diocese, houve ainda espaço para a intervenção dos participantes sobre o tema agendado e a apresentação de actividades a realizar pelos Movimentos e obras laicais nos próximos meses.

A paróquia na nova evangelização

“A paróquia na encruzilhada da nova evangelização”, foi tema da conferência proferida no encontro pelo Pe. dr. Héctor Figueira. O título aponta para “uma métafora que serve para falar das indecisãos, para saber para onde vamos, mas também para a possibilidade de escolhermos novos caminhos”, explicou o orador ao JM.
A identidade da “paróquia”, hoje, passa por mudanças que exigem mais “responsabilidade” da parte dos fiéis, sob pena de não cumprir a sua missão que é “anunciar Jesus Cristo junto dos que ainda não O conhecem ou se afastaram da Igreja”, alertou.
Não se pode conceber a “paróquia” como um mero “território jurídico”, antes, como uma “comunidade viva, dinâmica”, como “lugar de missão onde se podem criar novas realidades, onde não existe ninguém que fica ao deus-dará ou de fora. A paróquia não é uma terra de ninguém, com falta de cuidados, mas todos são evangelizadores” dos que estão ausentes ou dos que a entendem como uma “estação de serviços religiosos”, sem outros compromissos. “A paróquia é uma comunidade de irmãos, a quem pertencemos em primeiro lugar, antes dos Movimentos”, sublinhou o director da Escola Teológica do Funchal.

“Tema muito actual e oportuno”

O tema em análise na Assembleia diocesana dos Movimentos e obras laicais mereceu da parte dos participantes “elogios” e considerações positivas. “Falar da responsabilidade dos leigos na Igreja do nosso tempo, em comunhão e dinamismo, em sintonia com uma pastoral global é, de facto, um tema muito oportuno, muito interpelativo e exige de nós muito trabalho, mas é isto o que nos distingue como cristãos a sério”, disseram à reportagem do JM. “Todos devemos dar a nossa contribuição nesta matéria e nunca é demais lembrar que a Igreja não é só o sr. bispo ou o sr. padre, também os leigos, cada um dentro das suas competências, mas sem deixar de partilhar a fé em comunidade”.

Vera Luza
in: Jornal da Madeira / Religião / 26/9/2010
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